segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Poema da tarde

Tardes de gabinete
Papéis revoltosos
Jogados ao acaso
Dados mallarmenianos

Alma reticente
A espera do poema
Algemado e amarelo
Voa abruptamente

Corpo transcendente
Devorador de sóis
E de sorrisos de lua
Poesia aloucada e nua

20/11/2017

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

O.olhador de mundos

Janelas esc ndidas
Uma "atenta" ao convite
Outra a vigiar o instante
Da retina que passa
De vidraça aberta
E vê dois tempos"
Dois mundos,
                      ohlepse me
A refletir 
                m o v i m e n t o s
Controversos
 x
Paradoxos
Expostos a duas
E ao mesmo tempo
A nenhuma lente
Dentro de um [caixote]
Abarrotado de memórias
Díspares, desfocadas
Lumes 
           encobertos
Sem dizer de si
Em duplo suspense...
Dois que viram três
Que viram um

domingo, 5 de novembro de 2017

Resenha do filme: Corazón de León


Una película encantadora, sensible y emocionante que habla de personas, sus miedos, secretos, alegrías y aflicciones. La historia central de “Corazón de León” pasase en Buenos Aires y su personaje principal es León, un hombre que tiene una particularidad, un “pequeño” problema que a los ojos de la sociedad es prácticamente gigante. Él es un arquitecto con una carrera de suceso, un buen amigo, un padre amoroso y una persona justa y honesta. 

Un día, León ve una mujer que parece muy enojada jugar un móvil en el suelo de un parque de la ciudad. Agarra el teléfono y llama el número registrado como “casa” y habla que encontró el aparato y que le gustaría devolver. Ocurre que él quedase muy interesado por la morocha y la invita para un encuentro inusitado. En el día marcado, juntamente con el susto de la mujer delante de la “estatura” de su benefactor, el encuentro acaba en un paseo de avión y un salto de paracaídas. En virtud de eso, la mujer quedase encantada y él también. Algunos días después ella llámalo y los dos salen quedándose cada vez más enamorados. Pasa que León tiene solo 1,36 de altura, lo que hace con que Ivana empiece a tener muchas dudas y miedos pues toda la gente mira León con prejuicio y se ríe de él. 

La película trae en su enredo, de una manera muy sensible, un asunto polémico: la diversidad. Trae también otros ejemplos de personas consideradas “minoría” por la sociedad como un personaje surdo, una secretaria negra y otra gorda. En muchos momentos muestra como sufren las personas que viven con alguna diferencia que a los malos ojos de una parte de la sociedad es considerado feo, un defecto o todavía, una aberración. 

Pero Ivana, enamorase de verdad por León y los dos empiezan a enamorar. A pesar de felices, la estatura de León es siempre un incómodo para las personas a su alrededor y esa situación tornase cada vez más insustentable para Ivana. Un día, ella cuenta lo que siente y él quedase muy herido mandándola que salga de su casa. Los dos pasan por días muy tristes y León sufre tanto a punto de admitir a su hijo que, en la verdad, no le gusta su condición y que siempre ensoñó ser un hombre alto y “normal”. Su hijo le dice que no hay ningún equivoco en su padre y que tiene mucho orgullo de él. Ivana, por su vez, sufre mucho, llora y se arrepiente de todo que habló pero León viaja y no contesta sus llamadas. Ella lo procura a todos los lugares donde finalmente descubre su destino y va a su encuentro. León la perdona y la aceita de vuelta. 

La lección principal de la película es que las diferencias no dicen nada sobre el carácter de un ser humano. Que se nosotros pudiésemos amar las personas por su buen corazón o sus calidades y no por cosas tan pequeñas como un color o una condición física diferente, haríamos del mundo un lugar mucho mejor. 

Chapecó, 29/05/2016

Análise do poema “Tem país na paisagem? ” de Marília Garcia


A poesia de Marília Garcia, da forma como ela mesma apresenta, parece ser parte de um momento único. Ela me remete logo a duas imagens: a do movimento e da fragmentação. O poema escrito parece dançar sobre as páginas da maneira como está disposto, com linhas irregulares e soltas, que ganham vida e parecem se deslocar por conta própria, ao longo do poema. Na oralidade também é possível identificar esse movimento, mas agora pelo ritmo e pela entonação que a poeta dá ao texto.

Minha impressão é de uma poesia orgânica, viva e, que talvez por trazer tanto o texto narrativo, quanto o descritivo, parece imitar o ritmo do nosso cotidiano, em que ora narramos, ora descrevemos e ora silenciamos. Os silêncios também aparecem fortemente na poesia de Marília. E a eles, atribuo um papel preponderante, uma vez que fragmentam as imagens de tal maneira que somos nós, os leitores, que preenchemos esses vazios. Marília parece silenciar para construir a próxima imagem, como num respiro, para poder pensar em suas experiências já que sua poesia, apesar de parecer simples, é uma engenhosa construção arquitetônica. 

A poeta parece ver poesia nas pequenas coisas, e assim como em Manuel de Barros, é o ínfimo, o infraordinário que lhe interessa. Ao narrar e descrever o experimento do “desenho das lágrimas” de Rose-Lynn Fisher, Marília nos presenteou com uma imagem que pode tranquilamente passar despercebida, mas que através de seu olhar, torna-se poética. 

Percebo, nas duas imagens, que cito anteriormente, uma íntima relação entre elas, já que no movimento, se colocado em câmera lenta, é possível perceber a fragmentação, quadro-a-quadro. Esse me parece ser o ritmo de Marília, uma série de movimentos que, ao se deslocarem, preenchem nosso imaginário com pequenas memórias fragmentadas, ou de vazios a serem preenchidos.

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=CG-nTXqS9Ek&t=4958s

Cuidado, não leia! Um breve relato sobre o ensino de literatura.


É proibido ler. Talvez se a leitura nos fosse proibida (ou voltasse a ser) comeríamos livros. Comeríamos página a página de forma demorada degustando os “as” e os “bes”. Devoraríamos loucamente os machados e as clarices, depois vomitaríamos borboletas ciumentas e macabéas com finais felizes. 

Certamente existe uma razão para que eu comece meu texto assim. Já há algum tempo a falta de gosto pelos livros tem se tornado um tema recorrente no meio acadêmico e sobretudo, nas escolas de ensino básico. Face a essa realidade nasceu em mim, futura professora de literatura e uma amadora que se arrisca em invencionices literárias, o desejo de saber: Como apresentar um texto literário? Que elementos devo levar em conta na construção da apresentação desses textos? Que conceito de leitura deve estar na base da apresentação do texto literário? Como apresentar o texto, a história e a teoria? 

Para tentar desvendar esses mistérios que valem muito mais do que toda riqueza de João Romão, começo por pensar na primeira questão e arrisco compartilhar minha experiência como contadora de histórias na “Noite de Contos” do Sesc Chapecó no ano de 2017, em que tive a alegria de ser interventora. 

Minha missão, nessa ocasião, fora a de falar sobre o grande escritor brasileiro do Séc. XIX, Machado de Assis. Já havia dado aulas de literatura durante o estágio da faculdade, mas nunca tivera um desafio desse porte já que o público era completamente heterogêneo em todas as instâncias possíveis. Assim, decidi utilizar o maior número de linguagens para, com isso, ter uma chance de “acessar” o gosto pela literatura, no maior número de pessoas. Desse modo, parti de um episódio da minissérie Capitu, criada pela TV Globo, intitulada “Na varanda”, que não por acaso é o Capítulo XII do livro Dom Casmurro. Você deve estar se perguntando: mas não era uma noite de contos? Sim! Era..., mas como despertar a curiosidade dos participantes sem antes tocar em seus corações? Os contos de Machado são incríveis, mas, qual é sua obra mais conhecida? Porque não aproveitar o riquíssimo material disponível na internet para abrir as portas da percepção leitora dos que ali foram, possivelmente com tal objetivo? E foi assim. Logo no início encantaram-se com a revelação de Bentinho, descobrindo-se, pela voz do agregado da família, apaixonado por Capitu. Foram dez minutos do mais profundo silêncio e ao final, pude ouvir o mais demorado suspiro da noite, consequência do amor ali revelado, desnudado. 

Em seguida, valendo-me da emoção desperta pelas imagens, lhes apresentei o texto. Lemos juntos três capítulos da obra, “Na Varanda, Capitu e A inscrição” e, após, conversamos sobre o que lemos. Ali vieram excelentes comentários, dúvidas, críticas e posicionamentos, o que me instigou ao próximo passo: ler os contos de Machado! Assim, iniciamos a leitura do conto “A igreja do diabo” e qual não foi meu espanto ao perceber que muitos ali não sabiam que o autor fora contista, e dos bons! Finalmente lhes falei um pouco da vida do escritor e do contexto histórico da época, com o intuito de situar os leitores em relação ao tempo e espaço da narrativa ali vivida.

Quis relatar essa experiência porque a considero muito positiva e acredito ser possível trazê-la para a sala de aula em que, nesse espaço, complementaria com a produção de um texto, pelos alunos, de acordo com o gênero textual e discursivo estudados, e por fim, traçaria um paralelo entre uma metáfora que permitisse ler a obra e a teoria literária que a explicasse. Assim, penso ser razoável partir de uma imagem, ir para o texto, depois para a história e por último, para a teoria. 

Como segundo exercício de ensino de leitura, baseada nas aulas de literatura e em experiências vividas, creio que os elementos que devo levar em conta na construção da apresentação dos textos literários são a relação entre o estudante e o texto, em que o tempo do texto seja para ele o presente, uma vez que essa relação o afeta proporcionando-lhe experiências e vivências de outros mundos, de ser o outro. Ou seja, a resposta para a próxima questão a que me referi no início dessa conversa: a relação entre livro e leitor, estudante e texto. No texto “Como se lê”, Daniel Link (1959) chama essa relação de “sujeito e objeto”, nele, diz que “o sujeito lê o objeto” e o que chamamos de leitura é “apenas a correlação de duas séries de sentido, uma inerente ao objeto e outra inerente ao sujeito”. Assim, para ele, ao lermos, “o sentido, claro, desloca-se ao logo da série” em que “devemos passar da relação meramente imaginária com o texto, ao simbólico, ou seja, redenominar, cortar, escandir, pontuar de novo a sequência”. Isso significa dizer, grosso modo, que leitura é relação. 

Ora, se leitura é relação, como devemos apresentar os textos de maneira que ela, de fato, aconteça? Essa pergunta abre as portas para as respostas do último questionamento feito, sobre a sequência de apresentação de textos, seja partindo dele próprio, da história ou da teoria. Ao longo das aulas de literatura posso dizer que isso ficou muito claro e que partir do texto, será para mim, sempre que possível, o pontapé inicial. Aprecio imensamente a maneira como o escritor João Cézar de Castro Rocha (2006) traça esse percurso em seu texto Ciúme e dúvida póstuma - Dom Casmurro, de Machado de Assis, em que parte da obra, falando da força dos personagens e daquela que, para ele é a temática central da narrativa, o ciúme. Depois para o autor e sua vida, uma vez que o ciúme é tema recorrente ao longo de sua obra e por último, usa a metáfora literária do “ciúme” para explicar a teoria onde, segundo Castro Rocha, “a literatura também não dispõe de “provas”, não expõe “evidências”; como o ciúme, a literatura é um discurso que se alimenta da dúvida, da impossibilidade de conhecer a “verdade” última do mundo. ” 

Assim, a literatura é como a vida, em que só se conhece um homem, de verdade, através das coisas que ele esconde. E é esse mistério, essa lacuna entre as palavras que devemos instigar nossos alunos a querer desvendar. É estritamente proibido, proibir a imaginação!

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Tristeza, a inoperatividade da alma


Hoje é um dia em que eu estou especialmente triste pela humanidade, humanidade que não olha para os lados, só olha o próprio umbigo, humanidade hipócrita que olha uma criança africana e diz: que dó, façam alguma coisa por ela! Mas passa por cima de um gato ou cachorro de rua. Humanidade que diz: salvem as baleias! Mas come animais torturados em fazendas e frigoríficos. Gente que maltrata animais, mas que compra Pets por uma fortuna, gente que acha gay normal, mas meu filho não! Gente que não é racista, mas atravessa a rua quando vai encontrar um negro.

Ando chorando todos os dias, tudo isso me afeta demais, as minhas questões andam tão pequenas sabe...tudo que reclamo parece bobagem perto de um cachorro doente e com fome, uma criança maltratada e a ganância sem limite e sem janela para o mundo. Eu queria fortemente poder ignorar tudo isso e ser feliz no meu mundinho perfeito, mas uma vez visto, nunca mais se pode parar. Tenho me fechado ainda mais, é verdade, mas penso que é um processo mesmo, de conseguir assimilar tudo isso para depois reagir, nesse momento me sinto imprestável, impotente diante das injustiças, queria poder fazer algo maior, algo realmente significativo, mas agora tenho ainda minhas pequenas e insignificantes questões.

Acho que a humanidade não vai longe não. Adianta nada estar conectada com o cosmos, blá, blá, blá e não olhar ao redor ou pior, olhar ao redor e achar que tudo faz parte do equilíbrio do universo. Sinceramente esse papo de equilíbrio do cosmos é coisa fantasiosa pra mim, pois saio da porta de casa e vejo o vizinho fumando no corredor, atravesso a rua e vejo um idoso procurando lixo pra sobreviver, dobro o quarteirão e vejo um caminhão cheio de animais chorando e gritando por liberdade, chego à faculdade e vejo gente que não entra no mesmo elevador de um haitiano...

Olha, se isso é ver o mundo de maneira pequena e limitada, não sei mais qual é a dimensão das coisas. E os meus olhos não são melhores porque enxergam, nem piores porque questionam, são apenas duas janelas abertas cuja tristeza tem tornado inoperantes. 

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

No meio do caminho de Drummond


No caminho de Drummond provavelmente houve muitas pedras. A pedra primeira guerra mundial já presa em suas sandálias infantis, aos doze anos. A pedra solidão, dita e redita em seus poemas, a pedra Deus e a dura sina de ora crer, ora duvidar. A pedra “um mineiro no Rio de Janeiro” e tantas outras pedras de tantos outros conflitos bélicos, quentes ou frios, vividos pelo poeta no Séc. XX.

Embora o poema No meio do caminho tenha sido renegado pela crítica ao dizerem que “aquilo não era poesia e sim uma provocação”, ou ainda que eram “versos pobres e repetitivos” a pedra para Drummond não fora apenas essa ou aquela conjectura leviana. Esta é a pedra drummondiana do obstáculo, seja dos seus próprios conflitos com o mundo e a sociedade em que viveu, seja no próprio – e talvez intencional – poema obstáculo, criado exatamente para esse fim.

O poema fora escrito em 1928, e Drummond, ao escrevê-lo, parece ter adivinhado o futuro nebuloso do planeta, como um profeta da pedra, um “bruxo do obstáculo” já que pouco depois estouraria a segunda grande guerra e em seguida, os duros anos de ditadura no Brasil. Já escrito, o poema parece anunciar um tempo de dor, tempo das retinas fatigadas pela brutalidade das torturas impostas e as feridas expostas de seus companheiros políticos, seus amigos, cujo o único pecado fora acreditar mais na flor do que no asfalto.

Assim como o poeta, também temos nossas pedras. Nossos impedimentos não são diferentes dos de Carlos. Somos Carlos, Marias, Reginas e Pedros incompreendidos, renegados, subestimados. E assim como ele, o Carlos poeta, na maioria das vezes, jamais esqueceremos.

Chapecó, 28/09/2017.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Três perdidos numa manhã suja





















Nenhuma poesia na noite
percorrida entre absurdos e verdades 
E ela no entanto, estava ali,
no dorso da retina empoeirada 
Seis olhos mal dormidos,
sem lua, sem medo ou saudades 
Tudo feito pra ser agora,
efêmera tal qual poeira no asfalto 
E a palavra?
Vazia espera da garganta seca,
ardida, arranhada 
Nenhuma poesia no pôr-do-sol
que não foi visto, mas bebido
E que por isso, mesmo sem querer,
inspirou tosses vertiginosas 
De sangria poética,
arritmia lírica de três corações perdidos 
Numa manhã suja.

Ana Oliveira